“Crónicas de um jovem investigador - O que ninguém nos conta durante o percurso académico” de David Ângelo
Como será realizar um doutoramento durante o internato de formação específica? É uma pergunta a que o Prof. Dr. David Ângelo nos responde de uma forma muito pessoal, enquadrada na nossa realidade portuguesa e com uma escrita acessível. Apesar de narrar um percurso potencialmente mais interessante para estudantes de medicina e jovens médicos, o próprio autor refere que este livro pode ser inspirador mesmo para quem não almeja um trajeto semelhante.
Começando pela sua infância numa família emigrada de classe média, vamos acompanhando as etapas mais relevantes da vida do autor, entre as quais o ingresso na faculdade de medicina na Universidade da Beira Interior, o “Ano Comum” no Hospital de Santo António e o internato em estomatologia no Hospital de Santa Maria. Neste último, encontrou uma área pela qual se apaixonou e que se tornou alvo do seu projeto de doutoramento- a disfunção da articulação temporomandibular (ATM). Apesar de ser uma área de investigação muito específica, e um interesse que talvez não ressoe em muitos, os constrangimentos descritos na evolução do seu trabalho são transversais à maioria dos investigadores. Exemplos dos quais são os problemas com os pedidos para financiamento do projeto de investigação, as “batalhas” com a submissão dos artigos científicos e a conciliação da atividade clínica com a investigação. Com a sua descrição, vamos ficando a saber como é que o autor foi ultrapassando essas dificuldades e o que aprendeu com essas experiências.




por Luís Oliveira
Entre a explicação de alguns processos burocráticos e logísticos, ficamos também a saber como comprou as ovelhas para os seus estudos, como criou o seu próprio laboratório e bloco operatório numa quinta de família e como se preparou para a sua defesa de doutoramento.
Além da sua aventura na investigação, o autor partilha ainda outros episódios marcantes da sua vida, como a criação de uma empresa de kits de sutura enquanto interno do ano comum, como lidou com não ter entrado na sua primeira opção no internato de formação específica, o seu voluntariado na Guiné, a sua saída do SNS e ainda um convite para diretor clínico de um hospital privado em Bordéus. Entre outras histórias, conta também como foi para si realizar uma cirurgia à sua mãe e como lidou com as suas emoções.
No fundo, este é um livro que não só nos mostra a realidade de um médico investigador, mas também nos dá a conhecer várias histórias de alguém que teve a vontade, e algum apoio, para fazer investigação numa área que se interessou. E assim, de forma mais ou menos prevista, acabou por desenvolver novas terapêuticas, alcançar realização profissional e merecer reconhecimento nacional e internacional.
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