O Saque – SÓTÃO
Um viúvo de 3 dias, um filho ladrão incapaz de mentir e uma enfermeira oportunista lançam o mote para a peça “O Saque” apresentada pelo SÓTÃO, o grupo de teatro académico do ICBAS, numa recuperação da obra homónima de Joe Orton. Nos dias 10 e 11 de dezembro, este grupo de estudantes com uma veia artística deu vida a cerca de 1 hora de humor negro, absurdismo e crítica social, mostrando, em palco, que os alunos de Biomédicas carregam consigo uma multiplicidade de talentos que se estende para fora dos laboratórios.
Centrado em volta de um caixão, o palco assume uma certa escuridão que enegrece o ambiente, preparando o tom do texto dramático. O início da trama é o fim da vida da senhora McLeavy, que deixa em terra um viúvo murcho e uma enfermeira que conta já com 7 maridos no cadastro e se prepara para um oitavo. O filho, Harold, é elemento singular da parelha cómica que faz com Dennis, seu parceiro na amizade e nos assaltos. Juntos inundam o palco de caos de pretextos para rir.
Pelo meio, há cadáveres sempre fora do caixão, dinheiro para esconder, segredos que vão sendo revelados e os sempre insistentes inspetores sanitários, que do nome apenas levam o ímpeto de inspecionar os potenciais crimes daquela família.
Mas o enredo, só visto e ouvido, porque se foi possível deixar a plateia expectante e manter a sua atenção no meio de tanta agitação narrativa, foi porque os atores viveram estas personagens autenticamente, deixando até as cenas mortas cheias de traços de personalidade próprios. Mesmo em diálogos mais explicativos, foi sempre possível vislumbrar pelo palco alguma personagem caricata a relembrar-nos que esta peça ainda é uma crítica e o objetivo é ridicularizar os acontecimentos.




por Leonor Maia
Com encenação de Sandra Ribeiro, a peça espelha um grande empenho e trabalho de equipa nos bastidores: desde a montagem do cenário e sincronização dos efeitos sonoros até ao icónico guarda-roupa. Se Joe Orton tratou de imprimir textualmente estas personagens caricatas, os figurinos desta interpretação trouxeram uma nova dimensão à comédia que estas veiculam, destacando-se os fatos bizarros e desproporcionais, particularmente bem conseguidos no caso dos 3 inspetores, cada um deles absorvido por uma peça gigante – um chapéu, umas calças e um casaco. Por outras palavras, todos se mostraram visualmente excêntricos.
E assim encerrou o grupo, com fita de prata, 25 anos de história e de histórias contadas com a voz, com o corpo e com o olhar. É com “O Saque” que o SÓTÃO assinala o seu aniversário e nos convida a repensar a arte e o valor que lhe atribuímos, bem como o poder das mensagens que esta carrega, sempre eternas, sempre intemporais. Resta-me desejar os meus parabéns a este grupo de jovens irreverentes que, acima de tudo, não perdem a paixão pelo que fazem e votos de mais 25 anos a dramatizar a vida!


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